domingo, 23 de dezembro de 2007

Porque viajei efectivamente por países imensos esperançado na distância geográfica entre o pulsar do meu coração e o teu. Conheci montanhas brancas de tantas lágrimas transformadas em neve, cidades com rios e lugares onde o sol puro dos teus olhos não chega. Esbati-me no cansaço. O albergue passageiro onde dormia o sono justo, a cama impessoal onde depositei o meu corpo e os meus sonhos. Tantos rostos de multidão clareados pela luz, por vezes, insuficiente. Como comunicamos com palavras não maternas e até em beijos artificiais nos lugares sem recantos. O mundo pautado pela diferença, pela diversidade e eu na minha alteridade sempre pronto a aceitar o que nunca aceitei em ti. Cada sítio tem uma intensidade de vento diferente. Uma casa com a alma dos próprios homens locais. A imagem do teu rosto que me acompanhou por todos os lugares. Eu que me julgava longínquo.

As janelas que suportam sempre a ventania.

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