quarta-feira, 28 de julho de 2010

quarta-feira, 21 de julho de 2010

e lembro-me dos teus cabelos cor de lava sem que nenhum outro nome seja o teu
Estudos de Intertextualidade (continuação)

e tu disseste que virias na tarde que nunca vieste
os rios despidos os animais sem água todas as roseiras
numa pulsação cadente de sede
falhar a promessa é revigorar a dor de quem esperará
de quem estendeu a sua ânsia nos gumes delicados do tempo
esperei-te para que me salvasses para que cumpríssemos o indizível

enquanto caem as tardes em eco enquanto rememoro a chuva nos desertos
são as coisas da vida o perecer da luz
diz continua a dizer resignações de problemas estivais
espero ainda com o meu singelo coração de napalm todo o espaço que te posso dizer

domingo, 4 de julho de 2010

Poema a Muriel anos depois

morto está o teu admirador morreu no ano de 1976 penso
e fez questão de te deixar em palavras circuncidas a fogo
para que eu as lesse no silêncio meteórico deste sábado à noite
onde a solidão antes de mais é uma escolha ponderada
habitaste as ruas de Madrid
assim me vens na releitura fantasmagórica da imaginação
habitaste o coração de um homem claramente só e à procura
de uma extensão de sofrimento
terás sabido pergunto todos estes anos depois
terás sabido que habitaste porventura os desejos de um homem que escrevia poemas
que mergulhou no mar e cortou roseiras com os seus dentes cor de luz
que ante o poema pensou no teu rosto para dizer «duvidarei se tu estiveste onde estiveste»
ou foste tu apenas uma correspondência semiótica
de um amor ainda mais antigo
de alguém que quis ele ver em Madrid e nunca viu

Muriel,
se és real renegada foste com tempos perfeitos
e se não exististe com pulmões e brônquios
oscilas os corações no tempo intemporal de todos os homens do presente
dos homens que como eu vivem em 2010 e lêem ruy de moura belo
quando o sofrimento agudiza
escritor português nascido em Rio Maior
se não exististe existes
e contigo todos caminhámos os pássaros da inexactidão
contigo vamos aludindo as vozes desgarradas do ódio
tu «que alagas de luz todos os olhos»

sábado, 3 de julho de 2010

calcinei essa égua branca depositada anteontem no matadouro

que me destrua a cal finalmente