tenho o tédio todo a cúpula do horror e da decadência o meu corpo é uma natureza morta nada prolifera em mim sou um manancial de hienas e abutres
decapito até a felicidade - o mar negro a nascer
quarta-feira, 23 de abril de 2008
quarta-feira, 16 de abril de 2008
terça-feira, 15 de abril de 2008
arrombei as janelas fechei a porta abri gavetas caixas de pandora remexi fundo na dor nas palavras de água que restaram pelos papeis como foi duro deparar-me com o passado novamente reflectir em vão o tempo a minha incompreensão
já foi tudo tão diferente a casa os corpos ao meu redor o meu próprio corpo os meus sonhos os meus temores e até o mar se alongou na distância por ventura a bruma me oculta a visão
sobre o quarto destroçado eu que pensava ser tão diminuto vi a minha vida espalmada pensei muito as lágrimas fundas pelo coração interiores
seremos memória somente
segunda-feira, 14 de abril de 2008
terça-feira, 8 de abril de 2008
(Inauguraste-te hoje quando o sol raiava na intensidade máxima)
sobre a confusão do tempo um grito imprimido do teu silêncio abriu uma brecha de nuvens e esperanças a desordem dos rios e dos ribeiros do sangue marfim esconjurou-se no interior do meu corpo algum complexo titânico irá nascer
talvez o amor
sobre a confusão do tempo um grito imprimido do teu silêncio abriu uma brecha de nuvens e esperanças a desordem dos rios e dos ribeiros do sangue marfim esconjurou-se no interior do meu corpo algum complexo titânico irá nascer
talvez o amor
domingo, 6 de abril de 2008
Terceiro direito
O inferno, aqui. Deve ser normal.
Um choro de criança, no andar
de cima, sobrepõe-se à música
que não ouço e que é talvez de Brel
(nenhum quarteto de Mozart serviria agora
Há dias assim. Os guindastes
da insónia não seguram a voz, desastre
anunciado pela teimosia de pássaros
suburbanos. Coisas de muito esquecer,
se eu pudesse. Mas o corpo hesita,
volta a ser o envelope vazio
de um destino por assinar - e que
nada tem, neste momento, de «literário»,
Sinto a luz na garganta, sufoco
discretamente, alheio ao excesso .
de imagens que me traz o dia. ,
A alegria, se quiserem, fica para mais
tarde. Aqui, de novo, morre-se muito mal
Manuel de Freitas
[SIC]
poesia inédita portuguesa
Assírio & Alvim
não manuseio o tempo. tenho medo do futuro e de nuvens cinzentas.
O inferno, aqui. Deve ser normal.
Um choro de criança, no andar
de cima, sobrepõe-se à música
que não ouço e que é talvez de Brel
(nenhum quarteto de Mozart serviria agora
Há dias assim. Os guindastes
da insónia não seguram a voz, desastre
anunciado pela teimosia de pássaros
suburbanos. Coisas de muito esquecer,
se eu pudesse. Mas o corpo hesita,
volta a ser o envelope vazio
de um destino por assinar - e que
nada tem, neste momento, de «literário»,
Sinto a luz na garganta, sufoco
discretamente, alheio ao excesso .
de imagens que me traz o dia. ,
A alegria, se quiserem, fica para mais
tarde. Aqui, de novo, morre-se muito mal
Manuel de Freitas
[SIC]
poesia inédita portuguesa
Assírio & Alvim
não manuseio o tempo. tenho medo do futuro e de nuvens cinzentas.
sábado, 5 de abril de 2008
Parte II de um momento
partiste e todo o tempo se rasgou em pedaços pelo chão restei eu esquartejado na agudeza da noite tombado sobre os lençóis com teu cheiro lancinante
Parte I de um momento
ver-te-ei chegar por entre o tempo branco e solene pronta para redefinires em suspiros a lógica desta conjunção
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