ei-los
os aviões frágeis de
napalma sobrevoarem as feridas abertas do universo na redução evolutiva do homem
ei-los
em conflito pela dor do sangue em circulação contrária
em bombardeamento constante
estridentes os sons das televisões enquanto carros de metal se acidentam na chuva da noite
imagens repetitivas de homens degolados
incêndios sobre incêndios
como se inclina a manhã perante o caos
para onde escorrerá a água pura das nascentes
e lembro-me dos livros sobre as atrocidades das guerras coloniais
ei-los
sobre os corpos brotados das gargantas das jibóias
filmados pelas câmaras da irrealidade
a chuva cai nos átrios do mundo sob imagens de violência
mas cai também nos átrios pseudo pacíficos
cai no centro de nós
no axioma da nossa própria vida
preso por guindastes que nos comandam a uma eterna condição
emula-se a mulher na parede areada
gangrena nas veias dos poemas
a epistemologia encrava-se nos relógios
e a dor perpetua-se
ei-los
aos magotes nas filas do pão
nos escritórios
nos
bunkers de si mesmos
filas de trânsito nas grandes cidades
grandes narrativas do homem contemporâneo no alter ego dos intelectuais
crianças abortadas na clandestinidade
impelidos pelo egoísmo deturpamos o amor
nunca existiu amor
este é o substantivo mais parecido com Deus
ei-los
eis-me aqui
por detrás destas palavras
inerte
aspirante a carrasco na praça pública mais próxima do coração
eis-nos