quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Imagina esses pássaros todos os dias da tua vida
A comerem-te a focagem dos olhos
como ratazanas iridescentes no coração dos teus afagos
E tu amorfo pseudo-intelectual a recorrer a processos semióticos
a axiomas esgotados

[Corta a tesoura a sebe caem escadas no pátio do corpo]

Sobe-te uma dor de sangue preto só vista nos poemas do Al Berto
Que te atinge os dedos o pénis quando o outro corpo é só carne
E avistas remoinhos de helicópteros gretados
Insectos de pedra
Pressentes debaixo da língua contingentes de pessoas mortas

[sempre para além do manual de instruções]

Como parar esta alucinação perdida entre a noção de real e de irreal
Como reconstruir as destruições sucessivas do corpo de facas espetadas
Pelas cicatrizes
Como abandonar a minha vida ao submundo
Da incerteza

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Calla Rossa, Favignana

e esse azul tão próximo da morte, tão perto do excesso. quis desaparecer, entoar-me no preciso momento em que me confrontei contigo

Este foi o meu primeiro contacto com a obra de João César Monteiro. E talvez não tenha surgido na altura mais feliz, agora que tudo se tornou uma colecção de fracassos.
por fim as mãos manchadas do teu sangue.

todo o meu esófago repleto de pássaros.



quero o teu corpo. essa manhã alargada pela imaginação