segunda-feira, 31 de março de 2008

porque a poesia do Eugénio é o paradigma da beleza

porque foi em ti que vi o fulminar do sol sobre os muros de cal porque era em ti que os cabelos ondulavam no despotismo do vento como searas
porque tu eras a génese de todos os silêncios

em mais nenhum corpo encontrei os poemas do Eugénio

só no teu
Amo-te como Baltasar amou Blimunda

sexta-feira, 28 de março de 2008

o vazio da tua voz

do teu corpo

arrasa todo este espaço que me confina


sou apenas um cadáver

quinta-feira, 27 de março de 2008

Para que me serviria o conhecimento mais erudito, para que me serviria entender todas as coisas, se é no convencionalismo da minha cultura que projecto todos os meus sonhos

segunda-feira, 24 de março de 2008

22 DE ABRIL

A vida é infinita.
Mas nada é tão enorme quanto a morte.


Dos cadernos de Irene
Mia Couto, "Vinte e Zinco", pág 43


(Momento íntimo na Nazaré)

domingo, 23 de março de 2008

se tu, utopia de amor, te despenhasses agora dentro de mim
toda a respiração sustida

sábado, 22 de março de 2008

Auto-mutilação

a água ferve por todo o meu corpo escalda queima. estou dizimado

quinta-feira, 20 de março de 2008

Pequena nota

tenho o mar mais próximo do que nunca tem todo o brilho e toda a dimensão quero amá-lo

sábado, 15 de março de 2008

Pedido simples


Despe-me com a integridade das tuas palavras

Abre-me o corpo

Deposita-te em mim celeste e sublime

Materializa-me toda a felicidade

quinta-feira, 13 de março de 2008

quarta-feira, 12 de março de 2008

Lápide

poderei dirimir-me no perjúrio do teu corpo apagar-me dentro de mim extinguir o último
filamento de vida

mas no meu túmulo o epitáfio será teu não esqueças

Debandada

o vento solta-se das amarras e o coração pode voar agora

segunda-feira, 10 de março de 2008

Promessa

se me abrires espaços imperdíveis


se me disseres que dentro de ti nos lugares mais fundos existe um deserto árduo para meu deleite


eu prometo-te na violência das manhãs
ser um corpo supremo de amor

domingo, 9 de março de 2008

Imperativos

todo o meu corpo é um escombro, uma linha ténue de tempo que dividirá, em silêncio espesso, o mar

quinta-feira, 6 de março de 2008

Sem mais nada para dizer


Penso que morri por aí onde o inverno é perpétuo e longo

domingo, 2 de março de 2008

porque, ontem, dormi numa cidade de mar


Acredita na violência da beleza do mar, no seu aroma de elemento puro e tem fé no horizonte imposto porque, amanhã, nesse preconizar do futuro, só te restará, nos escombros da memória, o corpo que, outrora amordaçado contra o teu, foi um barco perfeito de silêncios

sábado, 1 de março de 2008

Março, mês da primavera


Tal como a primavera também tu, corpo necessário, corpo fulcral, virás na cadência, solene e natural, do próprio dia. E, sobre cada desabrochar, sobre cada fonte de água essencial, sobre um azul cada vez mais pleno, assumirás, dentro de mim, no meu corpo ainda precário, uma revolução de amor com contornos catastróficos de felicidade.

poesia in progress (arquitectura)


As palavras como rios de seiva e como selvas de desejo sagaz, hoje, num espaço confinado ao inexcedível e ao interminável, planaram sobre os nossos corpos tenros.

Pessoalmente, a cada palavra, na sensibilidade possível, no palato e no cheiro, reportei-me para ti, deusa, sereia eterna, mulher, corpo de incêndio por acontecer no centro da minha vida.