Escuridão pelos dedos, pelos braços e até as palavras, negras, não encetam claridade. Caminhamos como civilização podre para o abismo. Um abismo tão perceptível como os teus lábios que eu não tenho.
- Explodiremos e seremos simplesmente nada
(não sei quem tirou a foto mas teve arte. A Marta está deliciosa. Não sei que no que estava a pensar. De certeza que concretizou esse pensamento)
Nem só de lirismo ou de artes se faz o mundo. Alias, a base de qualquer expressão artística, seja ela de que modo for, deverá ter uma forte conceptualização inerente ao pensamento de quem a produz. Este facto, por si só concede, aquilo que é vital para o valor artístico – a moralidade da própria obra de arte. E o pensamento de quem produz poderá ser a sua percepção política, a sua cultura, a sua consciência social ou o seu processo lato educacional. Será, por fim, funcionando como um catalisador, o seu poder reflexivo o agente responsável pelo despoletar da obra de arte e pela sua qualidade.
Portanto, para mim, sem presunções artísticas, penso ser importante neste espaço, para além de demonstrar obras de arte, opinar acerca de tudo aquilo que condiciona a, própria, obra de arte.
Na infeliz data de 2 de Outubro de 1992, uma rebelião levada a cabo por presidiários do pavilhão 9 da Casa de Detenção do Carandiru, foi sustida violentamente pelas tropas da Polícia Militar e originou uma das maiores chacinas da história das penitenciárias brasileiras.
Roubei a Fotografia à Graça. (Desculpa)
Não me perguntem porquê, mas esta foto amedronta-me. Não tem monstros, nem dinossauros, nem corpos mutilados ou em aparente sofrimento, no entanto, demonstra-nos uma virilidade tão assustadora, tão real.
Ruben Almeida, STOP.
(Estive num hospital e todo o sofrimento humano me entrou pelas narinas, pelos olhos, pelos ouvidos…)
Precisamos de parar com todo este sofrimento, com esta dor que se instala na nossa falta de compaixão
O sangue escorre já a uma velocidade estonteante
E os corpos sucumbidos esperam a ordem para o último suspiro
Andy Warhol, Marilyn Monroe.