sexta-feira, 27 de março de 2009


Querida Irene:

de África só sei as cores sincréticas do céu que imaginava nas histórias de sol do meu pai. mesmo assim peço-te que me leves para detrás das árvores. para Jessumina dos poderes puros.
eu sei que o real não existe mas a memória do teu corpo desgovernado de tanta luz surge e tudo trepida envolta

quinta-feira, 26 de março de 2009

despenhada pela janela por vezes ainda vens e arrumas os livros na estante as camisolas no roupeiro

avisas-me do jogo de futebol com os amigos do preço da viagem e da conta do telemóvel

eu simplesmente ardo embaraçado na cadeira partida

olho-te para os olhos cor do mar estirado no preto e branco do silêncio

quinta-feira, 19 de março de 2009

"As cidades" de Rodrigo Leão

comentei à pouco com a mariana na varanda do S. Jorge como me tenho sentido ambivalente nestes últimos meses. realmente já não sei se acredite no socialismo ou no capitalismo, no racionalismo da ciência ou no fundamentalismo da religião, no altruísmo ou no egoísmo, no amor eterno ou no amor fugaz. vivo numa total indeterminação ética, sem qualquer tipo de mundividência sustentada.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Noël Dolla

tu, corpo congenital e límpido, serias o húmus da terra
aquela mulher que bebe o mijo do soldado, apocalipse de um postulado ignorante

dor inflacionada de jesus cristo,

é a verdadeira alegoria de todos nós