Entre desespero ou angústia
(Metz)
quem és tu a descer todas as avenidas na cidade sem avenidas
quem és tu respirando o carvão esgotado de todas as imagens poéticas
homem que levanta cadeiras e circuncisa prateleiras
homem desvairado pelas grandes rampas das montanhas
são tantas as paredes o sargaço no recoser das mãos
uma loucura tão competente que chega a ser lucidez
tudo falta cumprir
bem o sabes
bem o sabemos
abro tantas vezes as portas sempre que as fecho
tudo se inunda
os grandes discursos das grandes vozes dos grandes homens da grande civilização
há um homem só em todos os homens sós
as derradeiras certezas sobre tudo os últimos gritos da profícua sabedoria
os computadores da certeza as enormíssimas máquinas de calcular os potentíssimos mísseis
grandes caterpílares complexos industriais de tecnologia de ponta
o azoto é respirado pelo homem de angustia que cruza a vagina de água no limiar da terra
esse homem confidencial que habita o término de nós mesmos
e às vezes penso a cerca dos macroconceitos
em ultima instância somos escravos da vida
em última instância nunca nos despiremos da infelicidade que nos perfaz
o medo tal como dizem os poetas da suprema razão é a nossa unidade crucial
morramos então na paz do senhor na paz das ondas ordenadas na seiva do grande racionalismo
um suicídio colectivo
esse dia
da grande vontade colectiva do enorme reconhecimento da evidência
toda a humanidade disposta a disparar sobre si mesma
a infringir-se à morte
para que o mundo vazio
se regozije da morte do tempo da morte da palavra
e a paz provenha
no sulco de todas as árvores do mundo
no latir de todos os cães de companhia no ronronar dos gatos
nas viagens das grandes baleias
na humidade do musgo
o silencio realmente silente no espaço aberto desse último poema
para todo o sempre
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
queria voltar com palavras intersticiais
as que levantam madrugadas na força da sua presença
e desterram as verdades da terra mais densa
mas o corpo não se metamorfoseia
os ossos continuam ossos
a carne continua carne
a opacidade
como se muros de Berlim existissem no limite do percurso possível
corpo bruto arenoso e inábil
meu
queria tanto essas palavras messiânicas
como as persigo mesmo na contradição da evidência
essas palavras vindas do goto de deus e dos seios de todas as mulheres mortas do mundo
que arrasariam a lógica quando pronunciadas junto ao som do vento
as que levantam madrugadas na força da sua presença
e desterram as verdades da terra mais densa
mas o corpo não se metamorfoseia
os ossos continuam ossos
a carne continua carne
a opacidade
como se muros de Berlim existissem no limite do percurso possível
corpo bruto arenoso e inábil
meu
queria tanto essas palavras messiânicas
como as persigo mesmo na contradição da evidência
essas palavras vindas do goto de deus e dos seios de todas as mulheres mortas do mundo
que arrasariam a lógica quando pronunciadas junto ao som do vento
quinta-feira, 30 de junho de 2011
quarta-feira, 1 de junho de 2011
primeiro poema bordado sobre a imagem do teu rosto
I
ainda que submerso de mar falta-me água
no corpo
II
rasgo a tua pele
os seios de Melpoméne
III
na ilha de Utopia na rua antiga vaticinei as ilhargas do teu corpo
a martelo e a cinzel contra o ideal comunista de Rafael Hitlodeu
bordei a luz imaculada do teu rosto
IV
desce assim a tarde no esófago desta dor
noite que nasce na insónia do vazio
V
tu és a salvação do homem pérfido do homem preenchido por silêncios
os meus intestinos fervem por não estares aqui no hipocentro de mim
I
ainda que submerso de mar falta-me água
no corpo
II
rasgo a tua pele
os seios de Melpoméne
III
na ilha de Utopia na rua antiga vaticinei as ilhargas do teu corpo
a martelo e a cinzel contra o ideal comunista de Rafael Hitlodeu
bordei a luz imaculada do teu rosto
IV
desce assim a tarde no esófago desta dor
noite que nasce na insónia do vazio
V
tu és a salvação do homem pérfido do homem preenchido por silêncios
os meus intestinos fervem por não estares aqui no hipocentro de mim
segunda-feira, 23 de maio de 2011
quarta-feira, 4 de maio de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Estudos de intertextualidade (Ruy Belo e Eugénio de Andrade): diálogo sem sentido com os homens
nem em Madrid haverá a luz de que ansiavam os «Jacarandás» de Lisboa
nem nas dunas de Fão essa toda enorme propensão da «Alegria»
o mar metafórico nunca será outra coisa que uma circunvalação no cerne da procura
o movimento epidémico do homem sincrético que se banha no amor porque é feito de violência
será sempre uma degeneração do encontro pelo desencontro
estamos na voz colectiva condenados à inexistência no centro da existência
a procurar Muriel na sede das veredas no infinito das avenidas a encontrar felicidade na perda
e mesmo a utopia como realização terminal é somente o maior dos caminhos
nem em Madrid haverá a luz de que ansiavam os «Jacarandás» de Lisboa
nem nas dunas de Fão essa toda enorme propensão da «Alegria»
o mar metafórico nunca será outra coisa que uma circunvalação no cerne da procura
o movimento epidémico do homem sincrético que se banha no amor porque é feito de violência
será sempre uma degeneração do encontro pelo desencontro
estamos na voz colectiva condenados à inexistência no centro da existência
a procurar Muriel na sede das veredas no infinito das avenidas a encontrar felicidade na perda
e mesmo a utopia como realização terminal é somente o maior dos caminhos
sábado, 1 de janeiro de 2011
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