Delírios de um adolescente na hora do suicídio
O vento rarefeito propaga-se pelo espaço que me contém. Não te contarei deste caminho que me leva à morte. Não me adiarei nesta vida incongruente porque a minha alma é volátil demais para esta crueza em que se define a liberdade. Podem trazer-me o mar pleno e a brisa que o acompanha. Podem trazer-me as cores mais belas e uma manhã de domingo em que os pais embalam os triciclos dos filhos pelas marginais. Não sucumbirei à vontade de viver, á vontade de conquistar o arco-íris.
Eu que nunca me despedi de ninguém. Engolir este último pedaço de ar e sentir o cheiro húmido da terra não vai doer. A realidade é a morte.