Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Cecília Meireles
Tenho-te a dizer destes primeiros dias de Outono. A chuva enrolada no vento como se amantes, fossem. Um frio terno que encolhe os corpos. Alias, todas as pessoas mais pequenas nas ruas desertas de ti. Também, muito frio em mim, nas arestas dos meus lábios. Do vazio já sabes – impertinente e efectivo. Possivelmente, ausência do teu abraço quente, da combustão do teu corpo aberto sobre o meu.
No Outono que é este Outono senti, por que te tenho de dizer, os carros a despenharem-se num abismo e o mar a inverter-se a caminho das fontes. Tenho frio. Metafóricas, estas visões, Meu Amor. Entretanto, diluí o sofrimento num copo de água e não me tenho sentido mal. Apenas frio.




Pontualmente, um grupo de amigos organizam um jantar onde, cada um, convida a personagem mais palerma que conheceu no decorrer da semana.








