quinta-feira, 26 de junho de 2008

A única resposta

Jantáramos os dois pela primeira vez:
amizade ou amor, pouco interessava
desde que alí estivesses. O meu mundo
ia mudando à medida do teu,
a cada gesto vão da vã conversa
antes que fôssemos pIo Bairro Alto
e enfim o Lumiar, a tua casa.
Eu podia contar uma história, dizer
como aquele rosto atravessava o meu -mas não,
«nada de narrativas, nunca mais».
Apenas a certeza de estar morto
há tanto tempo, que já não me lembro
de cor nenhuma dos teus olhos. Não,
já não existe o dia nem a noite
e este silêncio deve ser talvez
a única resposta. É bem melhor
ficar à espera de que não regresses.


Fernando Pinto do Amaral
A Escada de Jacob
Assírio & Alvim

Não te consigo dizer nada. Estou árido de imagens e vento.


quinta-feira, 19 de junho de 2008

Duane Michaels

Está seca a voz de repetidamente não dizer o teu nome

domingo, 15 de junho de 2008

Paul Klee
vertem sangue as minhas mãos sobre a tua imagem. as portas batem ferozmente. na dor de todas as mulheres violadas soergo-te. batem as portas ferozmente. soergo-te para que continues utopia

terça-feira, 10 de junho de 2008



Cesariny a reviver a primeira geração modernista.

domingo, 8 de junho de 2008

Jeff Wall, Dead Troops Talk (A vision after an ambush of a Red Army patrol, near Moqor, Afghanistan, winter 1986) 1992

jazem em mim multidões de mortos.

Jeff Wall, 1999

nenhuma metáfora transborda esta dor de homens decepados pelo corpo. tenho cutelos nas veias e ninguém vê
Reinhard Bachl, My personal life


há catarses de fogo por vezes. imagens de aldeias a arder. tenho crianças queimadas dentro de mim

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Margarida Correia, Saudade, Ana 2004

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Queria redimir-me desta imagem. Dizer que me esgoto nela. Que poucas produções artísticas foram tão duras para mim. Espalmei os primeiros anos da minha vida. Relembrei imagens próximas. Relembrei a intensa curiosidade da minha infância.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Jeff Wall

há palavras que queria dizer ainda hoje mas tudo é sobejamente difícil

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Duane Michaels, Untitled, 1968

não me vês porque me oculto na luz. no coração das tuas palavras para sempre.
Roger Ballen

sou capaz de te dizer abismos e palavras sem fascínios. enormes vagas de mar. mas no meu corpo e no meu tempo o teu suor cai repetidamente