quarta-feira, 12 de setembro de 2007

(à minha mãe)

No ar ficou o verde dos teus olhos
Esse pudor tão teu
De ser parte do mundo.
De entrar nas casas, de atravessar as ruas
De trocar as palavras que eram tuas
Pelas palavras de todos os outros.
Luz frágil de uma vela
Iluminando outro tempo, outras eras
Quando calar era como uma renda
Tecida no calor do peito das mulheres.
Amaste assim
Como uma pena de ave
Na constante recusa de mudar
Fria de mãos e braços
Mas fonte de doçura no sorriso
Que sempre foi o teu modo de abraçar.

Isabel Fraga, Pátio Interior


Porque há mães que amam os seus filhos incomensuravelmente
Porque há mães que destróem os órgãos dos seus filhos contras as esquinas
Ou na sombra lhes criam ainda uma sombra maior

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