sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Este homem que pensou
com uma pedra na mão
transformá-la num pão
transformá-la num beijo

Este homem que parou
no meio da sua vida
e se sentiu mais leve
que a sua própria sombra

António Ramos Rosa

A noite estendeu-se e perseguimos o momento incontestável da alegria. A noite amena prenunciava a chegada do esperado Outono. Ainda não tinham começado a cair as folhas mas já começavam a cair as palavras.
Num impulso, sentados num bar enfrente ao mar, começamos a voar. Nova Iorque, Madrid, Paris, Rio de Janeiro, Amesterdão, Los Angeles, Bucareste não nos bastaram. A condição humana, as guerras fratricidas e a nossa própria condição sobrepuseram-se. Houve quem falasse da ausência, da falta de cobertores num Inverno tão grande que durou toda a vida. Houve, também, quem dissesse do silêncio…das suas arestas. No fim, soletramos a palavra amigo e regressamos a casa.
- Sei que pararemos no meio da nossa vida e nos sentiremos mais leves do que a nossa própria sombra.

1 comentário:

Anónimo disse...

A ti, chamar-te "amigo" é só outra forma de te chamar "irmão". Gosto de vocês todos pá...Em cada reunião há sempre o risco de os nossos sonhos transbordarem do copo que já esvaziamos de álcool e de tristeza.

Um abraço