segunda-feira, 1 de outubro de 2007

a cadeira está vazia, um corpo ausente
não aquece a madeira que lhe dá forma

e não ouço o recado que me quiseste dar
nem a tua voz forte que grita meninos
na hora de acordar
ouço o teu abraço, no corredor em gaia
e os olhos molhados pela inusitada despedida

o sol foge
mas o crepúsculo desenha a sombra que
tenho colada aos pés
ou o espelho, coberto com a tua face

pai, digo-te
a minha sombra és tu

Jorge Reis-Sá, “A Palavra no Cimo das Águas”


O meu pai é o pedaço de tempo mais valioso
Mais desmedido. Em todos os recantos de luz sobrevive-lhe
O sorriso, os braços onde o meu próprio tempo se construiu

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