devaneio
pelo fogo mais vulgar no centro dos poemas na hora mais difícil de chorar
sermos homens de regeneração nas traves da nossa insipiência
nós que chegámos tarde ao amor e que cedo dele saímos
como refutar as protuberâncias de uma fragilidade que é força e ineficácia
e sabermos o ser bipolar e contraditório
a descer as calçadas do mar como metáfora de uma grandeza que só
existe na destilação da água das puras nascentes
mas porquê o mito e a apetência para a pele calorosa do outro
porque dormem os filhos recém-nascidos nos peitos e braços das mães
porque partilharam a mesma cama Lídia e Ricardo Reis
sapiens demens respondem em coro os estivais homens que restam
mesmo se a distância desmesura as distâncias do ódio e do amor para uma escala
incompreensível
e finalmente falar de ti neste contexto do homem que nunca desceu as calçadas
porque se imaginou subir as agruras dos caminhos
mulher dos cabelos cor de lava
tu que és sempre incêndio sem o ser tu que gritas sempre dentro de mim as palavras
mais nutritivas sem que a tua garganta oscile
para lá das montanhas e dos neutrinos da humanidade
tu que me impeles para ti sem recurso a ímanes cosmogónicos
numa espécie de ventosa prolixa
eu individual num não amor
certamente numa visão obliterada de uma realidade que não acedo
entre os dizeres de um navio que partirá para a chegada sempre solitário
com sonhos de amor utópico e eterno
eis-nos e eis-me na distopia do amor que não ama mesmo amando
por onde eclodir desta alienação por onde encontrar a resolução simples das coisas
Sem comentários:
Enviar um comentário