descobri o teu vento e o sumo suculento dos teus frutos nos poemas de Lorca
trinta minutos para as quatro da manhã no «vale» silencioso do meu quarto
como adolescente que precisa de sentir o calor do outro corpo
assim revi Lorca morto por um tiro num arrabalde Franco com as mãos ensanguentadas
Dali com as mãos ensanguentadas
e tu que lhe colheste as palavras
para que não restasse qualquer gota de água perdida
para que não restasse nenhuma boca sem saliva
fazem agora os teus versos amor com os dele ambos com o mesmo sexo
ambos com a sensualidade das primaveras a amarem-se na proa dos navios
todo o Alentejo silenciado
daqui te pergunto
porque morrem os poetas jovens sem que nenhum arquipélago se afunde
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