se o poema surgir por todos os quadrantes da terra
poderei dizer uvas calcadas nos lagares de outrora
pés da história entropia mil vezes
Sangue a toda a hora a fluir nas veias
Já me tenho nas mãos no meu veludo interior
Não preciso de dizer nada
Não há nada para dizer
Que as praias comecem que se estendam nas paisagens
Que se acidentem os carros como tantas vezes dissemos
Cabo Espichel da minha vida
Grito na queda dessa falésia
Para que sul irei se nasci a norte
A norte da felicidade a norte das palavras
Em fome em dor
Parir para morrer
Quando te disse aquelas palavras de amor
Quando dois corpos se encolhem com tanto medo
E restam acolchoados um no outro
Há vento nos paredões sinto-o aqui em terra sem mar
O que dizer
Neguentropia mil vezes
Já me cansei das avenidas elásticas
Da multiculturalidade da transmorte
Do vazio
Todas as manhãs terão sol
Nunca te falarei no condicional
Para que lado dormir se a cada lado habita uma parede de ferro
Sem comentários:
Enviar um comentário