segunda-feira, 8 de março de 2010

Estudos de complexidade

Maia, meu capitão leva-me para os soldados de peito incólume que te seguem na
Construção social do meu imaginário
Vem redistribuir os obuses da paz que restaram de Abril
O que te posso narrar do presente é um despojo da esperança que nos deixaste
Ninguém merece a tua força pulmonar a tua coragem sanguínea
Ninguém nos vem salvar com a mesma veleidade que tu
Gostaria de conversar contigo deste mundo demiúrgico
Do homem máquina do homem computador do homem electrónico
Dos sons de carros do preço do crude
Das novas jurisdições pós-coloniais
De tudo um pouco que nos comporta e nos impulsiona
Mas não é tempo para política
É tempo para poesia
Para a expressão plena do Homem
Não sei se convoque novamente os capitães para a estrada fria da noite
Nem que seja para ser só eu o salvo
Maia, o meu problema não são as crises cíclicas do capitalismo
Não é a miséria a pobreza
O meu problema é a minha relação com o presente e com o futuro próximo
sempre cónico
Esse grito de dizer o que vai ser
Que clareira electrodinâmica electromagnética se vai abrir para a minha existência
O medo
Esse medo que está em todos os poemas do Al Berto
Que todos sentimos colectivamente
É só o tempo franco de fechar os olhos e construir filmes oníricos
De imaginar navios na neblina
Aviões
Corpos lustrosos que se acumulam sensitivamente nas casas abandonadas obliterados da dor do medo que portam dentro de si
É tudo o que tenho
Maia, volta em nome do poema Kírie
Volta para as instâncias da realidade
Para o presente das releituras históricas

Sem comentários: