terça-feira, 15 de abril de 2008

porque hoje revoltado comigo próprio com este silêncio que ejacula sobre a pele abri o quarto e arrumei toda a minha vida

arrombei as janelas fechei a porta abri gavetas caixas de pandora remexi fundo na dor nas palavras de água que restaram pelos papeis como foi duro deparar-me com o passado novamente reflectir em vão o tempo a minha incompreensão

já foi tudo tão diferente a casa os corpos ao meu redor o meu próprio corpo os meus sonhos os meus temores e até o mar se alongou na distância por ventura a bruma me oculta a visão

sobre o quarto destroçado eu que pensava ser tão diminuto vi a minha vida espalmada pensei muito as lágrimas fundas pelo coração interiores

seremos memória somente

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