quarta-feira, 12 de outubro de 2011

queria voltar com palavras intersticiais
as que levantam madrugadas na força da sua presença
e desterram as verdades da terra mais densa
mas o corpo não se metamorfoseia
os ossos continuam ossos
a carne continua carne
a opacidade
como se muros de Berlim existissem no limite do percurso possível
corpo bruto arenoso e inábil
meu

queria tanto essas palavras messiânicas
como as persigo mesmo na contradição da evidência
essas palavras vindas do goto de deus e dos seios de todas as mulheres mortas do mundo
que arrasariam a lógica quando pronunciadas junto ao som do vento

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