quarta-feira, 28 de abril de 2010

podias vir
eu esperar-te-ia com a mesa limpa as cadeiras próprias
prepararia a cozinha azul para ti
falaríamos desse passado prolixo dessas tuas mãos poeirentas como calcário
utilizaríamos verbos correntes
nada de dizer dirimir emular estremecer fenecer
emanar
tu e eu e as coisas mais simples
o nosso café acevadado umas torradas bruscas toda a solidão da mesa
nós e a nossa narrativa
frases cambaleantes de que morremos um dia na estrada sinuosa da vida
comprarei o pão amanhã
não nos veremos nunca

Sem comentários: