terça-feira, 22 de setembro de 2009

ei-los
os aviões frágeis de napalm
a sobrevoarem as feridas abertas do universo na redução evolutiva do homem
ei-los
em conflito pela dor do sangue em circulação contrária
em bombardeamento constante

estridentes os sons das televisões enquanto carros de metal se acidentam na chuva da noite

imagens repetitivas de homens degolados

incêndios sobre incêndios

como se inclina a manhã perante o caos
para onde escorrerá a água pura das nascentes

e lembro-me dos livros sobre as atrocidades das guerras coloniais

ei-los
sobre os corpos brotados das gargantas das jibóias
filmados pelas câmaras da irrealidade

a chuva cai nos átrios do mundo sob imagens de violência
mas cai também nos átrios pseudo pacíficos
cai no centro de nós
no axioma da nossa própria vida
preso por guindastes que nos comandam a uma eterna condição

emula-se a mulher na parede areada

gangrena nas veias dos poemas

a epistemologia encrava-se nos relógios
e a dor perpetua-se

ei-los
aos magotes nas filas do pão
nos escritórios
nos bunkers de si mesmos

filas de trânsito nas grandes cidades

grandes narrativas do homem contemporâneo no alter ego dos intelectuais

crianças abortadas na clandestinidade

impelidos pelo egoísmo deturpamos o amor
nunca existiu amor
este é o substantivo mais parecido com Deus

ei-los

eis-me aqui
por detrás destas palavras
inerte
aspirante a carrasco na praça pública mais próxima do coração

eis-nos

Sem comentários: